quinta-feira, agosto 23, 2007

Mundo moderno

Conversar com pessoas é algo maravilhoso. Você vê que nem todo mundo é igual. A afirmação pode parecer óbvia, mas quero dizer que de uma forma geral as pessoas são muito parecidas, fazem as mesmas coisas, gostam das mesmas coisas e por ai vaí.

Hoje eu estava conversando com um executivo de uma grande empresa alemã da área de turbinas para geração de energia elétrica. Ele "made a good point" – não consigo achar expressão similar em português que tenha a mesma força – durante a conversa. Ele dizia que não nos damos conta hoje que as coisas que supostamente são criadas para nos dar qualidade de vida, na prática nos tiram-na. Um exemplo: escada rolante. Deixamos de subir poucos degraus pela preguiça de ficar parado numa escada durante 20 segundos, quando não menos. Nisso, deixamos de exercitar músculos importantes da perna. O que acontece então? Ou vamos para a academia nos exercitar como loucos para perder uns centímetros de barriga.

O mesmo vale para o elevador, as esteiras rolantes nos aeroportos e outros tipos preguiçososo de equipamentos. Até uma laranja, meu interlocutor disse que preferia espremê-la na mão do que simplesmente usar o espremedor elétrico e depois ter de lavar todo aquele aparato, o que convenhamos, dá um trabalho da porra. Ele me deu ainda outros exemplos, uns mais outros menos radicais, mas que de alguma forma fazem sentido.

"O mundo cria necessidades para nós, que na verdade não temos. Temos um corpo perfeito cheio de músculos, nervos, ossos, juntas, capaz de executar todas essas tarefas facilitadas pela tecnologia. Em qualquer lugar que tem escadas, se a subida for menor do que cinco andares, eu prefiro usá-las. Com todas essas implementações em minha vida, posso passar dois meses sem dar uma corrida, que eu aguento um bom cooper de 45 minutos", comentou meu interlocutor.

Ah, meu intelocutor devia ter lá os seus 50 anos. Mas passaria facilmente por 40.

Não é nada, não é nada....não é nada mesmo.