segunda-feira, maio 22, 2006

Duas covardias

Estou com um pouco de raiva ainda, mas já passou. Vinha pro trabalho no trem agora de manhã e no vagão que eu estava havia três meninos, que aparentavam ter uns nove, dez anos cada um. Os garotos vinham brincando tranquilamente, com a típica alegria das camadas mais pobres brasileiras e até então não incomodavam ningué, tenho certeza. Aí entrou um senhor forte, típico nordestino, tipo estivador, de bermudas, camiseta de malha e chinelos. Na verdade não tenho certeza se ele já estava no trem. Não importa. Chegou a estação de Bonsucesso, os garotos por uma infelicidade resolveram tirar da bolsa um estilingue e cataram no chão do trem um parafuso pra ser usado como projétil na tal amar. Eles iam fazer alguma molecagem, tipo acertar com o estilingue a cabeça de alguém na rua. Sim, eles estavam totalmente errados. Mas aí chega esse senhorzinho e toma da mão dos moleques o estilingue e taca pela janela. E ainda por cima fica falando coisas do tipo: "não gostou? Me engole". Eu achei aquilo uma covardia sem tamanho. Bastava ele falar duro com os moleques e pronto. Nem do Rio as crianças pareciam ser. Um dos garotos ficou com cara de choro e os outros dois, sem noção do que estava acontecendo, caçoavam dele. O senhorzinho não estava gostando daquilo e não satisfeito, ao chegar em Triagem, pediu aos seguranças que retirassem os garotos do trem por conta do que eles iam fazer com o estilingue. Duas foram as coisas que me deixaram mais revoltado: a covardia daquele cara, que se tivesse lidando com um bandido não ia fazer absolutamente nada e a minha covardia por não ter levantado e defendido os garotos. A raiva já passou.